43 3422-4191     43 9 9974-2004

Por que o preço do etanol sobe quando a gasolina aumenta?

Publicado: 01/11/21 às 16h19

Foto divulgação

A Petrobras aumentou o preço médio que os distribuidores terão que pagar à refinaria para comprar gasolina e diesel – foi o quarto reajuste de 2021. Essa revisão de preços atinge o consumidor, já que o preço médio da gasolina aumenta na hora. Só que o etanol sobe junto, ainda que o combustível vegetal não tenha sido incluído na nova tabela da petroleira.

Esse fenômeno de aumento casado acontece invariavelmente e seu reflexo aparece nos postos de gasolina. Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), organização que representa os produtores de etanol a partir da cana de açúcar, explica as razões dessas altas em conjunto.

O primeiro motivo é de oferta e demanda. Como álcool pode substituir a gasolina nos carros flex, o consumidor pode ser levado a optar pela “alternativa”. Se a procura pelo etanol aumenta, seu valor sobe também.

“Se não há uma correção de preço, a demanda por etanol se elevaria muito por parte dos distribuidores, e com a oferta de matéria-prima mantendo-se a mesma, o preço seria elevado de toda forma em algum momento futuro”, diz Pádua.

O mercado de combustíveis tem cotação diária. Ou seja, o preço varia todos os dias, o que pode gerar impactos diretos nas bombas dos postos de forma praticamente instantânea. “O preço da gasolina está muito ligado ao câmbio e ao preço do petróleo. Se amanhã o preço do barril de petróleo caísse para US$ 40, e consequentemente o preço da gasolina diminuísse, o valor do etanol cairia também”, afirma.

Para quem está precisando abastecer o carro, parece injusto: quando o Jornal Nacional (ou a Autoesporte) anunciam um aumento, o dono do posto logo sobe os preços, ainda que seu reservatório esteja cheio (e adquirido no preço menor). Ora, se ele pagou menos, que venda por menos, certo?

Para o dono do posto, o problema é outro. Com o aumento, se ele vender o “estoque antigo” pelo preço antigo, não terá margem para repor o conteúdo dos tanques com o valor atualizado.

O caso inverso também não beneficia o consumidor. Quando a Petrobras reduz os preços, a vantagem dessa redução demora até aparecer na bomba – isso quando aparece. Deixando de lado razões especulativas, aqui vale uma lógica comercial.

Todo aquele combustível que está armazenado teoricamente foi adquirido pelo empresário por uma cotação mais alta. Assim, se ele repassar imediatamente esse “benefício” para o cliente, terá que absorver o custo adicional.